terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Hamam ou Banho Turco


(versão feminina)
(versão masculina)
Bem, vou escrever pela segunda vez e desta vez estava muito reticente, já que é sobre um assunto delicado e já vão perceber porquê.
Estamos nos últimos dias cá e as despedidas começam a ser cada vez mais frequentes. E agora quem resta cá, somos nós (eu e Rita), e as pessoas que vão ficar cá um ano.
Numa das despedidas, de uma filandesa Mari e uma holandesa Claire, elas tiveram a brilhante ideia de ir a um hamam, ou como é conhecido em português, o banho turco.
Digamos que a ideia de banho turco que eu tenho em Portugal, é de uma sala com partes em mármore, com imenso vapor, cheiro a eucalipto, meia privada onde muito pouca gente vai, a não ser as pessoas mais velhas para descontrairem.
Bem, tenho-vos a dizer que aqui não é bem assim. Quer dizer a parte de serem pessoas mais velhas e partes em mármore, é verdade.
Quando vi para a Turquia, já me tinham falado do verdadeiro banho turco e digo que a curiosidade de experimentar era pouca ou nenhuma.
Mas numa viagem que fiz ao Mar Negro, surgiu a hipótese de experimentar um hamam e de graça. Mas eram 10 da noite e foi uma cena meia oferecida por um Turco simpatico, que não conseguimos recusar. Lá experimentámos, mas nada se compara com o hamam que estive na semana passada. Ai se eu soubesse...
Encontrei-me com elas e lá fomos para a parte mais pobre e feia de Ankara. Não sei bem porquê é lá que estão os melhores banhos turcos, aconselhados pelo Guia Lonely Planet e pelos nossos amigos italianos. Que nos descreveram um hamam de uma maneira que me pareceu bastante interessante e nada promíscua, como eu imaginava.
Está bem, Mariana! Mais uma vez enganadíssima e sem saber onde me ía meter e sem volta a dar, já que elas queriam todas e pelas vezes que elas já tinham ido, não parecia nada de mal.
Bem, chegámos ao hamam que os italianos falaram e por fora parecia óptimo, não tinha ar de spa fantástico, mas tinha óptimo aspecto. Menos mau!
Chegámos lá e um senhor turco não muito simpático diz :" bayan yok". Que significa que aquele hamam era só para homens.
Tudo bem, andámos mais um bocado e lá encontrámos outro hamam, numa rua sinistra e, eu só pensava:" Mariana, volta para trás enquanto podes, depois de entrares, não podes fugir... Não, não, isto não é nada de mal, toda a gente vai!"
Pois é, lá entramos, para a parte das senhoras, já que também havia parte de homens. Fomos recebidas por umas turcas sinistras todas la embrulhadas nas suas burkas, que nos enfiaram numa sala miníscula.
E chega a altura em que temos que tirar a roupa e pormos uma toalha (não totalmente nuas, de bikini).
E lá seguimos para a "sala de vapor", onde supostamente, cada pessoa tem direito a lavatório grande em pedra com água quente e um mini alguidar que se usa para nos molhar. Até aí tudo bem!
O primeiro problema aparece, quando eu começo a olhar à volta e todas as senhoras de muita idade que estão lá, andam a passear-se a usar a apenas cuecas. Ora aí está uma imagem que eu queria evitar a todo o custo, mas não deu.
Segue-se então a parte em que nós somos esfregadas, por outras senhoras, pertencentes ao hamam, por umas escovas fortes que nos arrancam, quase, a pele.
Então, surge diante de mim, uma senhora com cerca de 100 kilos, 60 anos, com uma escova, só de cuecas e aponta para mim e chama-me para o meio da sala para me ir esfregar.
Bem, devo dizer que a minha vontade era afogar-me...
Mas não disse que não, estou na Turquia, experiências destas não se tem em todo o lado. É melhor pensar assim...
Não durou muito tempo, depois mandou-me embora e chamou a Amy (americana) que estava, igualmente, assustada como eu. Já que as outras já tinham experimentado, simplesmente, esqueceram-se de mencionar alguns pormenores.
Achava eu que já me tinha safado de mais pormenores inconvenientes, quando aparece outra senhora, de igual peso, idade, e "solo" usando cuecas. Mas como dirigiu-se para outro lado, para se ir molhar, achei que não era nada comigo. Errado!!!
Passado 5 minutos vai buscar um tapete, daqueles tipo yoga e estende-o no meio da sala em mármore e chama a Mariana. Mas porquê que eu tenho que ser a primeira outra vez??
Mais uma vez não digo que não e lá vou eu. Agora não sabia bem para quê, por isso, acho que ainda estava mais assustada. Desta vez agarra numa esponja e põe sabão e, menos mau!
Lá me "lavou" (lol) e deu-me uma massagem aceitável. Pormenor interessante! Digamos que esta senhora era bem dotada fisicamente, e sempre que se dobrava digamos que os dotes dela me tocavam, nessa altura não sabia se havia de chorar ou de rir.
Última parte da massagem, ela manda-me sentar e fica de frente para mim, como eu estou sentada, os meus olhos estão muito próximos das amigas dela, não, não é interessante!
Pior, é quando ela me dobra o pescoço para a frente e sem saber bem porquê estou colada, literalmente, às amigas!
Claro, que quando acabou eu só consegui partir-me a rir e fugir!
Vesti-me e até nunca mais Hamam!
Não recomendo a ninguém... quer dizer agora há uns hamams versão ocidental, que são nos hotéis, tipo Hilton ou Sheraton e que acho que não ofendem mentes mais fechadas. São é mais caros, mas acho que para a próxima (que não vai haver de certeza!) se alguém me perguntar, são esses que recomendo.
Beijinhos!


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Epoca Festiva no Médio Oriente

Então, apesar de já muitos terem uma ideia do que se passou aqui na época festiva, Natal e Passagem de ano, pois a curiosidade foi muita e não conseguiram aguardar por mais um relato tardio e fora de horas, mesmo assim passo a contar...

Após dia 23 de Dezembro, o jogo vitorioso da Mariana, que o mundo já sabe porque fiz questão de deixar registado no nosso blog internacionalmente reconhecido, seguiu-se dia 24, o dia dos preparativos para a ceia de Natal. Sinceramente bateu um bocado a melancolia, uma vez que olhavamos para os "nicks", titulos ou mensagens nos inumeros meios ciberneticos que nos fazem ficar ligadas ao mundo fora da turquia, estou a falar obviamente de msn, facebook e afins que todos conhecem tão bem (talvez a geração mais avançada, pai, mãe, não estejam a par do que o facebook é mas .. fica para outro capitulo) e viamos todos os que estão fora como nós a voltar a casa.. "back to portugal".. mas rapidamente esquecemos os milhares km que nos separam de casa e da familia, quando dia 24 de Dezembro, Mariana acorda-me ás 7h da manhã para irmos para a nossa aula de turco e.. ESTÁ A NEVAR!! Véspera de Natal, e começa a nevar em Ankara.. perfeito! Rapidamente tudo se cobriu de neve e Ankara mudava de cor.. ficando bem mais bonita por sinal...















(Rita e o nosso jardim de casa á direita)














(Mariana no Eden da nossa faculdade)




(Baskent University, parte do campus da nossa universidade)

O exitamento foi notório, pareciamos crianças fascinadas com os flocos brancos. Não, nao foi a primeira vez que vimos neve, mas virmos a nossa cidade transformada do dia para a noite foi qualquer coisa de emocionante. Uma cidade que há uns meses atrás aguentava 40 Cº com um calor insuportável. Rapidamente nos apercebemos do perigo que, os nossos amigos turcos, nos advertiram... parece que nesta altura do ano os acidentes por "escorregamento" no asfalto são frequentes e as entradas nas urgência dos Hospitais com pernas e braços partidos são comuns e exponencialmente crescentes. Isto, porque, não esqueçamos que Ankara pode competir com Lisboa "a cidade das 7 colinas" e os declives pista azul, agora com uma camada de gelo escorregadia, espalham-se pela cidade; mas melhor irão perceber a realidade do que vos conto umas linhas abaixo...

Bem, a tarde ficou reservada para os preparativos para a ceia de Natal em casa da Karen, amiga holandesa, com a comunidade erásmica. A ideia, já que não temos os bolinhos feito pela avó, era cada um levar alguma comida, de preferência natalicia e tipica do seu país, e levar um presente entre 5 a 10 YTL (até 10€) para a troca de presentes prevista.

Dei voltas á cabeça, sobre o que poderia fazer sem forno e sem grande experiência culinaria neste género de receitas, e resolvi o assunto com fatias douradas. A Mariana fez uma mousse de morango, com uma receita completamente improvisada, uma vez que procurar igredientes nos supermercado turcos é sempre um desafio.. bem tentamos encontrar leite condensado, mas sem a palvra turca e sem paciência para tentar explicar por gestos o que queriamos, improvisamos com uma especie de natas turcas. Peço instrumento triturador à vizinha turca, por gestos claro, e como.. simples.. bato-lhe a porta de tijela com morangos, na mão, digo-lhe "Merhaba!" (ola), e faço o movimento triturador na direcçao da tijela de morangos "Makine bbbbrrrrrrrrrrr var?!" (máquina bbbbrrrrrrrrrrr tem?) nada mais simples, a senhora amávelmente apressou-se e resolveu-nos o problema com um instrumento estranho turco que decerto triturou.

Lá fomos de panelas e tapawer no mini-autocarro (Dolmus) que nos leva a todo o lado, com destino a casa da Karen. O dolmus deixa-nos ainda um pouco distantes da casa, então restava-nos "escalar a montanha" , agora com neve, a pé. Momento perfeito para percebemos e comprovar-mos o que os turcos nos diziam a cerca do perigo nas ruas... Mariana cai estatelada no meio da estrada de panela de mousse na mão. Tal como um desenho animado. Felizmente o estrago não foi grande, umas dores no joelho e menos de um décimo de mousse desperdiçada.

Chegadas á seia de Natal, estranhamente este ano não era uma reunião familiar com crianças, pais, tios, avós, grande mesa de Natal e tudo a rigor, era sim uma casa cheia de Erasmus vindos de toda a parte do Mundo, até turcos e isrealitas que não celebram o Natal lá estavam para tentarem perceberem o que era e festejarem com nosco. Mesa e árvore de Natal também tinhamos... prato principal uma bela "pasta" feita pelos italianos, salada canadiana, bolo australiano, bolinhos alemães, iguarias holandesas e belgas, mas claro, resta dizer que as sobremesas portugesas foram um sucesso, as eleitas da noite, especialmente porque ninguem sabia exactamente no que consistiam. Animação não faltou com a bela vinhaça á mistura.


















A melhor parte da noite foi, claro, a troca de presentes, principalmente porque eramos umas 30 pessoas, portanto o processo de distribuição era uma incógnita. A solução encontrada foi um jogo proposto pelos americanos. Muito simples.. por ordem de posição cada um tinha de tirar um presente á vez. O primeiro claramente teria de escolher do monte de presentes na árvore, mas o segundo e os restantes teriam 2 opções... ou escolher um presente do monte ou "roubar" o mesmo de uma pessoa á escolha. A pessoa roubada podia repetir todo o processo "árvore ou roubar" e assim sucessivamente até que todos tivessem um presente. É escusado dizer que a brincadeira dos presentes demorou mais de 1h e a competição entre os embrulhos mais vistosos era evidente com os sucessivos "roubos".


Os presentes, com apenas 10€, foram muito variados e cada um mais hilariante que o outro... desde boxers do twity, chouriços, máscaras picatchu até fogo de artifico, este foi claramente usado e experimentado no final da noite o que fez os vizinhos turcos entratrem em alvoroço e quase chamarem a policia, susto perfeitamente compreendido se pensarmos que este é mais um dia do mês para eles. O brinquedo brilhantemente pensado foi oferecido pelo chino-americano claro. O casal asiático traz sempre as inovações e é responsável pelas reparações e assistências tecnológicas. No entanto, o presente que ganha o prémio de "Simplicidade+Intelegência" é um curioso livrinho chamado "picture talk". Consiste numa espécie de dicionário por imagens, com aspecto de livro de crianças mas bastante elucidativo. Sem dúvida bastante útil num país como a Turquia onde, fora dos grandes centros como Istanbul, é sempre um desafio tentar explicar o que procuramos ou o que queremos já que o inglês é escasso e o turco não se assemelha a nada, portanto a boa técnica de dizer a palavra com vários sotaques diferentes, a puxar para os rrr franceses, cantantes italianos ou vogais abertas espanholas, não resulta. Portanto com "picture talk" basta apontar e sorrir...

















(philippe a pensar o que ia fazer com o seu novo brinquedo)














(depois de tanto pensar deu nisto)















O meu presente, ou que levei para oferta foi um "protector de orelhas para o frio" (não sei o nome técnico), mas são como se fossem uns auscultadores felpudos sem música... Roxos! Portanto só rezava que não calhasem a nenhum rapaz mas... calhou!!! Carter, um excêntrico americano de Washington. Estilo formal e intelectual, de gravata e camisa por baixo do pullover aos losangos, mas ao mesmo tempo excêntrico pois o colarinho é cor de rosa e a gravata azul berrante. Bom o visual acompanha a personagem, de sotaque e conversa irónico com ar de dizer as maiores verdades do mundo mas na verdade é só ar, pois este é um daqueles americanos que pensa que Portugal é só montanhas verdes e homens de bigode, desde que viu o "Love Actually"... A verdade é que para maior das minhas surpresas ele adorou os pompons roxos felpudos e não os tirou mais a noite toda!!! Eu recebi, uma das opções mais normais e utilizáveis, um gorro oferecido pela doce Zaarah, uma americana de familia paquistanesa. Á Mariana calhou uma caneca e um porta chaves da "Middle East Technical University", logo a ela uma das 2 pessoas que não lá pertence, é um sinal e uma recordação concerteza...
















(Zaarah e o meu novo kit frio)





















(Italiano Adriano como sempre fora de si e Carter feliz com os pompons felpudo)

Foi uma bela ceia de Natal com a nova familia de 30 pessoas....

Dia seguinte, dia 25 de Dezembro, dia de Natal, tinhamos uma apresentação de um trabalho, a entrevista feita para a cadeira de "European Union". Podem ver como aqui se trabalha, até no dia de Natal... podemos dizer que deu sorte, correu bem e recebemos nota 20 no trabalho, foi um bom presente... Acho que um dos factores preponderantes é além do nosso esforço claro, a professora nos adorar. Uma activista pró União Europeia num país que há anos é candidato e a entrada é demorada, dificil, contestada e com um futuro pouco prometedor. De repente, depara-se com 3 alunas de paises membros da UE que se interessam pelo tema e defendem a UE como se da sua casa se tratasse. Encontra aqui aliadas, numa turma onde nem todos os turcos vêm a UE com os mesmo olhos.


Muitos acham que se a Europa não os aceita como são e exigem mudanças profundas de cultura e hábitos além de os associarem a terroristas só pela sua religião, então não lhes interessa entrar numa organização que os obriga a mudar e não aceita a sua Natureza. Outros, por outro lado, que ambicionam sair da Turquia e envolverem-se num mundo europeu e internacional, vêm a UE como uma fonte de oportunidades e fácil adaptação ao "mundo exterior". Os debates e discussões, ao longo do semestre, foram vários e alguns bem acesos. Tivemos direito a conferências, organizadas na faculdade, sobre variados temas desde "Turquia e relações com a UE" até "Globalização e crise financeira na UE". Politica é sempre um bom e controverso tópico de discussão por aqui, dando tema de conversa para várias horas se necessário...


Á noite, insistimos com os nossos amigos turcos que teriamos de jantar fora no dia de Natal, eles la perceberam a nossa motivação e juntaram-se á nossa comemoraçao. Ok não houve peru assado, mas houve um grande petisco de kebab.


Dia 26 de Dezembro, sexta-feira, para mais uma vez poderem ver que aqui se trabalha e bem, passamos o dia a fazer mais um trabalho, uma análise financeira, uma vez que teriamos de deixar tudo pronto e arrumado para o dia seguinte partirmos para Istanbul... As nossas primeiras visitas iriam chegar... BENVINDOS: familia Assis, Tazinha e Carminho!!!



As nossas primeiras visitas não tiveram muita sorte com o Clima, desta vez apresentava-se um Istanbul com chuva, frio e até uma epécie de granizo que quase pode ser chamado de neve. Os passeios foram mais dificeis e tinham de ser programados de acordo com o tempo, pois um passeio no Bósforo com um céu completamente enublado não tem metade da piada. As nossas visitas não deviam estar habituadas a estes tempos agrestes, e até constipações e esfriados deram as caras, mas com uma boa caga vitaminica rapidamente passaram. A Carminho e a sua postura defensiva a lutar contra as sofridas gotas cortantes de granizo que o digam...


Mas novos amigos turcos não faltaram, especiamente quando toca a negociações com as peritas portuguesas... Conversas, Chá, Nargilé, serões e belos descontos proporcionados por un dos nossos amigos, "Curly" como o apelidámos..


Sim é preciso ter cuidado com as confianças, porque estes turcos, sempre tão amáveis e disponiveis, por vezes "esticam-se" um bocado, chegando-nos a prometer o céu e a Lua em troca não sei bem do quê... Portanto Simpatia mas com moderação subtil...

Quatro meninas juntas.. compras e mais compras, e desta vez não resistimos ao místico "Spicy Bazaar"...
Obrigada Mariana por teres sido contagiada pelo Caril, belos cozinhados que já daí sairam...

Para poderem realmente experienciar o que é a Turquia, as nossas visitas tinha de viver imprevistos tipicos desta civilização. Desta vez, não ficámos num Hostel, decidimos entrar no novo ano com alguma qualidade e acomodar-nos num Hotel, acessivel e com muito bom aspecto, bem no centro histórico da cidade. "Best Nobel Hotel" , Best não deve ser o nome mais apropriado, porque apesar do bom aspecto, confortáveis instalções e valente pequeno almoço, não se importava muito com os serviços básicos como Luz ou Água. Por mais de 2 vezes, as luzes faltavam repentinamente por 1h ou mais e a água acaba bem na hora apropriada do banho. Da primeira vez pensamos, ok acontece, da segunda decidimos sondar e questionar os recepcionistas. Eles não pareciam muito surpresos e disseram que era Normal. Eu pergunto-me, Normal num Hotel onde estamos a pagar um serviço completo de estadia. Eles com ar risonho e gozão respondem mais de uma vez, "é Normal é Normal, é um problema geral da rua" e simiticamente lá nos deram umas velinhas depois de muita insistência. Não sei porquê sentia-me sempre gozada, sempre que "refilava" ou reclamava como cliente que sou.. enfim Turquia ainda não deve saber que "O cliente tem sempre razão". O patrão lá parece que percebeu e a meio de mais uma manhã com água cortada, e por isso chegarmos no final da hora do pequeno almoço chateadas, revoltadas e esfomeadas, ele lá madou o "capanga" ao supermercado e tivemos um belo banquete só para nós...

Sorte ou coincidência, ficámos instaladas paredes meias com um belo Restaurante/Bar/como lhe queiram chamar Turco, que depois de todos os dias insistirem para que entrássemos lá cedemos e participámos numa engraçada e animada festa turca. Aqui percebi que algumas estrangeiras realmente perdem a cabeça com estes ares do Médio Oriente, o que os faz pensar que depois somos todas assim... "Soltas"...

(video uploading)


Nesta noite, conhecemos o primeiro português desde que chegámos á Turquia. O jovem "rasta" Alex do Algarve, que passava férias com os pais. A sorte dele foi encontrar-nos e ser convidado para á festa de Passagem de Ano que tinhamos programa com a comunidade Erasmus.

A passagem de ano foi assim passada numa Basilica antiga recuperada, uma festa organizada pela associação de Erasmus Nacional que juntou erasmus e amigos de toda a parte da Turquia, Istanbul, Ankara, Izmir e afins. A Basilica, não um monumento estrondoso com a maioria nesta cidade mas bem acolhedor, estava cheia e uma confusão de internacionalidade. Numa meio da multidão encontrámos mais portugueses das várias regiões do país, Coimbra, Aveiro, Porto e penso que de Lisboa também. Pelo que parece eu e a Mariana somos as únicas lusas em Ankara, mas em Istanbul são mais de 20...

( em comemorações com um vendedor de estalinhos local)

Os restantes dias reservaram-se para mais uns passeios e desbravar da cidade...

Mas antes de fechar este capitulo, quero deixar um grande OBRIGADO, concerteza em nome de todas, ao tio Assis e tia Ana que tão bem nos acompanharam nesta viagem e nos proporcionaram momentos muito agradáveis, desde as passeatas e caminhadas intermináveis mesmo com clima adverso, belas refeições com conversa animada até ás todas situações irónicas que no Médio Oriente partilhamos, lembro-me vagamente de um certo casal Suspeito do Dubai, espero que não tenha ficado traumatizado com esta gente...


Até uma próxima pescaria Istabul...






































































































































































































































































































































































































































































































































































































quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Finais de Dezembro


Bem tem sido um esforço, tentar pôr o blog sempre em dia.. mas está visto que foi impossivel. A ideia de um blog estilo diário, onde fosse actualizando as novidades diariamente já há muito foi afastada, portanto vou hoje não vou contar mais uma daquelas viagens guardadas no bolso há dias, porque as há, mas vou finalmente contar um acontecimento que me deixou muito tocada.. e tem de ser contado hoje, se não será esquecido e perderá a piada, o que não posso de todo deixar acontecer, e o que é ... A vitória da minha Faneca!


Desculpa Mariana, mas o mundo tem de saber o que aconteceu dia 23 de Dezembro de 2008...


Como já devem saber, ou se não, aproveitem a boa oportunidade, a Mariana, minha querida faneca, desde o inicio do semestre com muito afinco e vontade juntou-se á equipe de Basketball da nossa Universidade, e assim poder divulgar os dotes desportistas latinos. Baskent Basketball Team, coisa séria e bem formada como podem ver:

(A tuga etá ali do lado direito com um circulo vermelho esbatido)

Desde logo, "Máriáná" era a estrangeira, a "portokis" amiga do Figo e prima do Cristiano Ronaldo, ao comando de um treinador que de inglês sabe pouco ou quase nada, o que torna as coisas um bocado dificeis. Eu própria fui a alguns treinos, sim há jogadoras baixas como eu, e vi como é dificil tentar perceber o que é suposto fazer quando todas desatam a correr e a emitir sons estranhos que mais parecem gritos de guerra árabe. Bom, mas temos sempre a Seçil, o Burak ou outras turcas amorosas que nos acham um piadão e esforçam-se por traduzir o que está a acontecer quando nos veêm realmente perdidas. Nos balneários o mote é sempre ensinarem-nos algumas palavras turcas, e normalmente chega sempre a altura que desatam a rir, penso que é altura que nos fazem de papagaios para ouvir "palavrões" turcos com um sotaque estranho e divertido.


Mesmo apenas falando por linguagem gestual e através de interpretes, cedo o treinador percebeu que a latina tinha qualquer coisa, e pô-la logo a jogar nos primeiros jogos. Sim, não é um conto de fadas, depois do primeiro jogo percebemos que a Baskent era a pior equipa do torneio. Primeira derrota contra as furacões da "Middle East Technical University", segunda derrota , terceira derrota, quarta derrota, que chatice.. va Mariana ao menos estas a jogar na Turquia.. até que Hoje dia 23 de Dezembro Baskent University VENCEU, e tudo devido á prima do cristiano, á amiga do Figo, á latina, á Mariana...
Pronto estou a exaltar-me.. passo a explicar..
A meio tempo do jogo, mais uma vez Baskent estava a perder, e a desmotivação começava a instalar-se tanto nas jogadoras como no treinador, de repente algumas jogadas, algumas defesas e as pontuações começavam-se a aproximar.. momento decisivo.. é feita falta sobre Mariana ela marca livre com possibilidade de chegar ao empate.. plateia anima-se, começa estranhamente a apoiar, uma vez que há muito tinha baixado o volume, e ela Resolve.. EMPATE!!!
Eu estava na plateia, e só começo a ouvir "hvfkfdjcfbvdh Mariana jfhfvhfv Mariana".. o quê Mariana o quê? Só queria saber o que estavam a dizer da minha amiga..
Mais umas entradas brilhantes, outras defesas equivalentes, e há possibilidade de vitória.. o treinador tem de escolher alguém para marcar os livres e assim chegar á vitória.. quem vai ser? Mariana!! Aqui instala-se a euforia.. o grupo de jogadores turcos forma uma roda estilo tribal e grita, ao mesmo ritmo que salta, em sons graves e bem sonoantes "Mariaaaa Mariaaaa Mariaaaa"... e ... com toda a pressão e olhos postos nos segundos decisivos.. Vitória!! Mariana resolve mais uma vez e é feita heroina pela comunidade Turca.. a estrangeira conseguiu, a latina superou, os rumores instalam-se e o nome "Máriáná" espalha-se pela bancada.. Desculpa, bem tentei perceber o que disseram mas só apanhei "foi uma boa escolha"... Palmas Faneca Ganhaste a Noite!!! Foi emocionante...

Bem, e amanhã é Noite de Natal! Numa época que todos voltam a casa, ás suas familias, as resistentes ficam e passam o Natal na Turquia, e perguntariam talvez porquê? Porque num país muçulmano como este onde estamos, o Natal é mais conhecido como passagem de ano do que realmente Nascimento de Cristo, logo as unicas comomerações e férias que existem são mesmo dia 31 de Dezembro. Isto talvez seja óbvio, mas hoje fiquei preplexa quando no final do jogo falavamos com as turcas sobre o Natal, e elas perguntavam-nos por planos e estivemos vários minutos em confusão porque nós falavamos de planos para amanha e depois de amanha, isto é 24 e 25 de Dezembro dias de Natal, e elas falavam "para a semana, para a semana", "para a semana vamos ter festa de Natal", "Na turquia o Natal é dia 31".. Pois parece que há uma pequena confusão entre Natal e Passagem de Ano, mas aqui arrumam tudo no dia 31 e fexou o assunto.
Mas descansem não estamos abandonadas nas mãos dos muçulmanos e sujeitas a anular 24 e 25 do calendário.. Amanhã vamos ter Grande Ceia de Natal em casa da nossa amiga Karen, uma holandesa, e mais 25 Erasmus. Os italianos são responsáveis pelo prato principal, o que me deixa bastante descansada e de agua na boca.. e cada um terá de levar alguma comida natalicia do seu pais, pelo menos essa é a ideia.. mas não me adiantanto vou guardar o relato para depois de amanhã, depois de tudo acontecer...
BOM NATAL A TODOS !!!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Vida em Ankara

Bem, depois de tanta insistência por parte da Rita e não só, resolvi escrever. Não sei bem do que é que vou falar. O que me vier à cabeça, espero que chegue...
Muitas pessoas me perguntam se foi dificil adaptar-me, se a cultura é assim tão diferente, se se nota muita diferença, relativamente, aos outros países da Europa. A resposta é sim!
As primeiras semanas foram dificeis e ainda continua a ser, não me sinto, totalmente, adaptada.
Não pensem que não estou a gostar, muito pelo contrário, estou a adorar!
Mas aqui é, completamente, diferente de todos os outros Erasmus que já me falaram, principalmente, os que foram feitos em países europeus.
Também há parte de noite, festas e de conhecer muita gente de Erasmus, que há, mas não na minha faculdade.
Mas aqui tenho tido outras experiências que sei que era dificil, se estivesse noutro lado. (Experiências que vou contar, mas não agora)
Na minha faculdade somos 3 de Erasmus. Eu, a Rita e a Anne, uma alemã que vive connosco. Ah e há outra pessoa de Erasmus, que vem da Holanda, mas é turco (emigra). Ou seja, não é considerado de Erasmus.
Foi dificil darmo-nos com outras pessoas de Erasmus, fazem parte de outra faculdade e, são cerca de 200 pessoas. Mas que quando nós os conhecemos, já eles se conheciam todos há mais de um mês, logo, foi dificil integrarmo-nos. Mas como somos dotadas da simpatia e lata portuguesa, lá fizemos amigos!
Outra coisa que é dificil aqui em Ankara é a deslocação. Quando cheguei aqui deparei-me com a maior cidade onde alguma vez já tinha estado, sem contar com Londres. Estou habituada a Lisboa, onde é tudo perto e consigo deslocar-me facilmente e em pouco tempo.
Aqui, é um bocado diferente, a cidade é enorme, com montanhas no meio e, uma das montanhas é onde vivemos. Acreditem é uma montanha! A avenida onde nós vivemos tem a inclinação de uma pista azul. Para descer, até se faz bem, mas para subir, há sítios em que os nossos joelhos quase que tocam no chão.
Ainda por cima, uns amigos nossos turcos, disseram-nos que quando começasse a nevar, o caminho que fazemos para descer para a cidade vai-se tornar perigoso e provavelmente, iremos parar ao chão algumas vezes. Outra das coisas que vai acontecer com a neve é que os autocarros não vão subir a montanha, deixam-nos a meio e o resto é a pé! Estou para ver...
Os autocarros aqui são imensos. Temos os autocarros normais e os dolmus, que são mini buses. Estes mini buses dão para 15 pessoas, mas em horas de ponta acho que vão 30 ou 40 turcos lá dentro. E depois o sistema de pagamento é uma coisa engraçada. Não há bilhetes que se compram antes ou mesmo nos dolmus, paga-se ,directamente, ao motorista enquanto a viagem se dá. Se se tem o azar de se sentar nas primeiras filas, temos trabalho. As pessoas que vão entrando e vão-se sentando nos bancos de trás dão o dinheiro às pessoas da frente para irem pagando e depois temos que dar o troco para trás. Nas primeiras vezes, eu e a Rita não percebíamos porque é que os bancos da frente estavam vazios, agora temos uma pequena ideia.
Quanto à nossa faculdade é, a cerca, de 3o km do centro da cidade, temos que apanhar um autocarro, que pertence à faculdade, todos os dias, que demora 30 minutos a 1 hora, depende do trânsito e quando chegamos... boa, outra montanha. Para além de ser a faculdade mais longe do centro, parece-me ser a mais alta.
Ah antes de dizer o que vejo quando chego à minha faculdade, devo dizer que é privada, aqui na Turquia faz toda a diferença.
Começo por chegar as 8 da manhã com a maior cara de sono do mundo e começam a passar por mim, miúdas, a que eu chamo barbies. Porquê? A produção que elas fazem para ir para a faculdade é provavelmente a que eu faço quando tenho uma festa ou um casamento. Muito pintadas, com os cabelos com penteados estranhissimos cheios de popas e laca, vestidos, saltos altos, malas da Gucci, Louis Vitton, óculos escuros, louras platinadas. Se formos ao parque de estacionamento, vemos carros desde os últimos modelos da peugeot (nada de especial), até BMW, Mercedes, Range Rover, Dodge gigantes e até se vê um Cayenne, mas é só um...
Aqui a cultura é muito parecida à Americana. Conhecem a Gossip Girl? É igual!!
Deve ser por isso que a Gossip Girl é uma das séries mais apreciadas pela elite Turca.
Ou seja, mal entro na faculdade, com as minhas calças de ganga rotas e ténis de Adidas e cara acabada de acordar, sou apreciada por todas as pessoas que se encontram na Cafetaria e começam a comentar. Vá lá, tenho desculpa, sou de Erasmus, não pude trazer a minha roupa toda para não pagar excesso. Está bem?
Segundo, o que a Rita diz porque eu não fui. O sítio para onde esta gente sai, é um género de BBC, onde as pessoas saem para verem e serem vistas, mas ninguém dança, mas bebe tudo e comenta-se tudo.
Quanto à religião, pensei que fosse uma coisa que me fosse "incomodar" mais. Mas não. Muitas vezes vou na rua e começo a ouvir as rezas deles, sim, porque eles têm altifalantes em todas as mesquitas que transmitem as "missas" para a rua. Dá uma certa piada à cidade. Vou ter saudades disso!
Uma coisa que falta em Ankara são jardins e espaços para se ir sem ser centros comerciais. Achava que Lisboa tem muitos, continuo a achar, mas aqui é um exagero. E não são pequenos, são sempre gigantes.
Pequeno pormenor dos centros comerciais. Em todos, temos que passar pelo detector de metais e revistam-nos as malas. Se entrarmos de carro, vêm a parte de baixo do carro com um espelho, à procura de bombas. Não sei se me hei de sentir segura ou não.
E claro, que tinha que perguntar porque é que eles fazem isto, já que em Portugal não é normal. Ao qual eles me respondem: duas a três vezes por ano, o partido político PKK (kurdos) é autor de ataques terroristas, principalmente, nas duas grandes cidades da Turquia, Istanbul e Ankara, por isso, há que haver controlo e segurança.
Senti-me mais segura depois desta explicação? Nem por isso.
Mas ainda não aconteceu nada aqui. Os ataques que têm havido, são todos na parte Este da Turquia, onde os Kurdos vivem.
Já me estou a prolongar demais com o meu comentário, vou parar.
Queria que tivessem uma pequena ideia de como é a minha vida aqui, espero ter conseguido expressar-me bem.
Beijinhos Mariana, ou Meryemce como às vezes sou tratada.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Pela Turquia - Konya



Já algumas viagens foram feitas, muitas peripécias aconteceram e os relatos ficaram por escrever, portanto segue-se uma reportagem estilo "Breaking News" com o esforço de relembrar os pormenores mais ilariantes e fascinantes...
Aqui fica o mapa da Turquia para melhor se poderem orientar e visualizar por andamos:



KONYA
Num fim de semana a meio de Novembro sem grandes eventos e acontecimentos de interesse em Ankara, decidi dar mais uma volta pela Turquia, e descobrir o que ela tem para dar.. juntei me a um grupo de raparigas de Erasmus com espirito explorador (Zaraah, amaricana de origens paquistanesas, Safyia holandesa de origens turcas, Ebru holandesa de origens e capacidades falantes turcas e Eszter, húngara) que marcaram como próximo destino: Konya!!
Bem primeiro que tudo, só pa dar uma noção do quão estranho possa parecer ir a Konya, todos os turcos a quem comuniquei a minha viagem me responderam: "Bem mas porquê Konya??! Nem eu nunca lá fui.. é tão conservador!" Pois é.. esta é uma das cidades mais conservadoras da Turquia, não propriamente bonita ou atractiva, mas uma vez na Turquia porque não? Nem eu sabia bem no que ao que me propunha, mas nada como experimentar, ver e tirar as minhas próprias conclusões...

Mais uma vez, dirigimo-nos a Asti (a estação de camionetas e derivados de Ankara), negociamos o preço, e partimos no primeiro autocarro da manhã até Konya. Esta é uma das vantagens de estar em Ankara, centro e capital da Turquia, tem sempre transportes a qualquer hora para qualquer sitio, mesmo de demorem 12h a chegar ao destino... "Turquia próximo passo é uma boa rede de comboios, pensa nisso!!"

Chegadas a Konya, foi de utilidade máxima, termos entre nós uma Holandesa-turca, que conseguia sempre comunicar com os locais e orientar-nos sobre o que e como fazer. Da estação principal, apanhamos o "dolmus", famosos mini-bus espalhados por todas as cidades, que são simplesmente a salvação dos peões. Levam-nos a todo o lado e têm sempre maravilhosas e inúmeras plaquinhas espalhadas pelo vidro frontal do "carro" que indicam os pontos principais por onde passam. Bom, mas este esquema do "dolmus" terá de ser melhor aprofundado adiante, uma vez que existe toda uma cultura e ritual à volta dele...

Aqui sim, se pode dizer que é aconselhável uma pré-reflexão quanto à vestimenta.. nada de ombrinhos á mostra e sempre útil uma enxarpe á mão, para qualquer eventualidade... Konya acomodada no centro da Anatolia é uma das cidades, continuamente habitada, mais antiga da Turquia, daí preservar várias tradições e modos de vida antigos.

Nas ruas, a maioria, se não todas as senhoras e jovens mulheres andam de cabeça coberta e longas gabardines que servem quase de vestidos.. penso que deve ser a maneira mais prática que elas encontram para se vestir uma vez que não têm de pensar muito no assunto...


Curiosidade interessante, foi notar que pela primeira vez me encontrava numa cidade plana na Turquia, o que possibilita a circulação de bicicletas. Não, não se trata daquela modernidade das cidades nórdicas europeias, onde se cruzam jovens perfumadas e homens de negócios nas suas bicicletas. Aqui vêm-se senhores com "barretes" muçulmanos a deambular pela cidade nas suas bicicletas que parecem de "3ª ou 4ª mão". A pobreza é notável, e os mercados ou bazares tipicos do middle east espalham-se pela cidade.

Esfomeadas depois de algumas horas á deriva, em busca do centro da cidade, que parecia inexistente, uma vez que existem vários centros e ninguém nos conseguia indicar o caminho que procuravamos, que na verdade acho que nem nós sabiamos muito bem... PIDE! A especialidade da zona é pide, uma espécie de pizza, que na verdade não tem nada a ver, tendo em conta os perigosos picantes sempre presentes... e eu que os odiava...


É incrivel como tudo é simples e sem preocupações para este povo... chegadas á pequena taberna turca, deliciámo-nos com uma humilde esplanada ao sol improvisada a meio da estrada de uma estreitissima rua. Depois de instaladas e já debruçadas nas entradas e petiscos sempre oferecidos nestes sitios.. BUM! Camioneta a querer passar, bem no meio da nossa refeição, ok nada de dramas deve ser excepção para qualquer entrega.. levanta cadeira, afasta mesa, camioneta passa, turco insiste que "problem yok"(não há problema), ok continuamos na nossa humilde esplanada.. 5min depois.. mais uma camioneta.. turcos insiste "oh problem yok yok".. ah concerteza não há problema rigorosamente nenhum termos que interromper a refeição, mover toda a mobilia e acessorios, para deixar passar as camionetas que deicidem atravessar a estrada que lhes é de direito.. enfim pequeno pormenor que nos pôs a rir a tarde toda, repetir vezes sem conta "problem yok yok" e concerteza mudar para a parte interior da taberna, charmosa na mesma com os seus tipicos tapetes pendurados na parede.

Ainda meio perdidas nesta cidade religiosa, lá encontrámos um posto turistico meio abandonado, mas com um simpático jovem que arranhava o inglês e nos ofereceu uma serie de mapas, informações, cds de musica de meditação e uma bela noticia. Aos sábados, tem lugar um dos eventos mais importantes na cidade, um espectáculo religioso os "Sufis", juntam-se por volta de 2000 pessoas num pavilhão para assistir o ritual de meditção e oração/evocação de Allah... para nós que não percebemos ou não sentimos, não tem grande interesse, pois é monótono e sem grande variação artistica... Percebi que os movimentos giratórios continuos, durante aproximadamente 1h, são possiveis através de um estado de meditação e concentração transcendente, talvez por isso esta prática seja tão apreciada entre os crentes...


Durante o dia ainda visitamos a parte mais rural de Konya. O objectivo era visitar uma igreja antiga, algo raro neste mundo islâmico, então apanhámos um autocarro que nos levou á parte desértica e mais pobre de Konya.. lá eramos nós a atracção.. as pessoas principalmente as crianças olhavam para nós como se fossemos "aliens", queriam falar com nosco, seguir-nos, tocar-nos... em menos de 30min de autocarro encontrávamo-nos numa realidade completamente diferente ...

Antes da partida, importante visitar uma das maiores atracções da cidade, Green Mausoleum of Mevlana Celaleddin, anexado a uma famosa mesquita, encontram-se famosos manuscritos, pertences e história do famoso Mevlana, importante filósofo e professor que influenciou a palavra do Islão.

No mesmo dia, apanhámos o último autocarro para Ankara, e lá chegámos de madrugada.

Pensei em descrever aqui no mesmo artigo todas as outras viagens que já fizemos, como Cappadocia e a "road trip" pelo Mar Negro ou Black Sea Region, mas como sempre alongo-me nas descrições, e por aqui já se faz tarde, portanto fica para o próximo episódio, e claro, deixo uma curiosidade no ar pelo o que ai ainda vem...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Novas Gentes!!!



Durante a semana de "Bayram" ou por outras palavras mais ocidentais, semana de celebração do final do Ramadão.. assim uma espécie de Natal, uma vez que depois de uns dias de grande confusão, pressa e compras compulsivas, tudo fecha desde lojas, bancos e serviços publicos.. tudo isto para dizer que nesta semana, sim que estivemos de férias apenas 7 dias após o incio das aulas, MUDAMOS DE CASA!!


A nossa nova rua chama-se Hava Sokak, sim nao tem relevancia nenhuma, mas acho um máximo morar numa rua com nome de especiaria exotica.. Localizada no sitio "in" de Ankara, numa zona de muitas embaixadas, largas avenidas e com a torre "Atakule" quase a porta (torre da fig. acima).. Na realidade mesmo á porta, ou seja o nosso vizinho quase de parede meias é nem mais nem menos que a embaixada do Afeganistão! Portanto segurança não falta, policia por todas as ruas próximas e um grande sentimento de.... PAZ, espero!!



(a caminho da festa de Halloween, uma pequena paragem á porta dos vizinhos - Embaixada do Afeganistão)

De todo uma semana não propriamente propicia para mudar de casa, uma vez que como todos os serviços estavam fechados, tivemos que aguardar pacientemente por Internet e Gas uns dias.. a solução mais imediata que arranjamos para o gás foi pirar-nos para o ginásio com os turcos e practicar, no meu caso experimentar, Squash, e tomar banho!!! Desporto este, muito apreciado e comum no médio oriente e nada melhor para perceber isso que conhecer o 3ºclassificado do Campeonato Mundial de Squash, um Paquistanês que treinava no mesmo ginásio que nós e até nos deu umas dicas..

Uma vez que os musculos nao aguentavam 3 dias de Squash seguidos.. nada mais perfeito para o final da semana que.. A PRIMEIRA VIAJEM REALMENTE ERASMUS!!!

Juntamo-nos ao grupo de Erasmus de outra faculdade, Middle East Technical University, uma das mais conhecidas e populares por Ankara, e partimos para ISTANBUL novamente, desta vez uma viagem organizada e liderada por turcos que conhecem os melhores "spots"... (e se estão a pensar:"Ai Istanbul outra vez, que repetitivas!!" Não, Istanbul é gigante, impossivel de enjoar ainda por cima com um grupo tão diverso como este:


Sim o senhor de branco também faz parte, e não se trata de um professor, mas sim de um castiço Iraniano que aos 40's também decidu fazer Erasmus, e porque não?! Por aqui.. turcos, turcas, polacos/as, alemães,Iranianos, holandesas, canadianas, suecas, Portuguesas (Claro!), Russas, Ucranianas, um Americano... O que deu misturas engraçadas como ...






ou.. esta..

Mais uma viajem de camioneta hilariante, que demorou o dobro do tempo porque o motorista desviou a rota por 2h em busca da gasolina e refeição mais barata em plena madrugada, primeiras impressoões, primeiros cumprimentos.. "Hi, Where are you from?!" é a pergunta mais frequente.. depois de apresentações e conversas curiosas sobre cada pais.. uns dormem, outros leêm, outros fofocam em dialetos estranhos,outros tentam a todo o custo manter a energia e continuar a Camioneta Party mas sem grande sucesso, e outras ou outra, a frenética Ucraniana, quase é expulsa do autocarro por insistir em fumar lá dentro contra a vontade de toda a população...

Chegados ao destino.. check in num hostel pitoresco bem no centro histórico de Istanbul (Sultanahmet), e pequeno almoço num dos milhares de terraços que tanto já falei...





Ainda tudo a ambientar-se uma vez que nem toda a gente se conhecia muito bem.. pelo menos nós (Rita, Mariana e Anne.. "The Special Team" como nos baptizámos) mandamo-nos completamente "á nora" e eramos vistas como aquela cumplice combinação estranha de 2 portuguesas e 1 alemã..









Todos ficaram maravilhadas com os meus "dotes" de Quiromancia (leitura de mão), principalmente a Ucraniana que insistiu em me pagar. Segundo ela tenho sempre de pedir dinheiro pelo "serviço" nem que seja uma quantia irrisória, pois caso contrário terei má sorte e atrairei mau olhado.. não queremos isso, portanto não custou nada aceitar os cêntimos que ainda valeram umas pastilhas... Bem lhe disse que não era uma expert, tratava-se apenas de uma brincadeira onde noutras ocasiões da vida aprendi, mas incrédula ela ficou com os meus dizeres, ao ponto de me pedir conselhos sobre a sua vida amorosa.."Desculpa Katarina isso já é de mais!"..



Porque Istanbul pequeno não é, visitamos mais alguns sitios historicos e sempre interessantes.. para começar,uma cisterna, antigo reservatório da aguá que a ele tem muita misticidade associada, sinceramente não percebi bem porquê.. sei que a atracção principal, a meta, o destino era encontrar a "Medusa", uma estátua cravada num dos inúmeros pilares, muito bonita por sinal e escondida...

Mais um dos grandes monumentos de Istanbul.. AyaSofya...


Um misto de..






Se ainda não perceberam.. é um misto de..















Um misto de.. Cristo e Muhammad, de cristãos e muçulmanos!











Segundo a história , foi originalmente contruida como uma igreja no Império Bizantino, dando lugar á segunda catedral maior do mundo. Mais tarde com a conquista da Constantinopola (incl. Istanbul) pelos Turcos Otomanos, Sultan Mehmed II ordenou que a obra se tranformasse numa Mesquita "AyaSofya Mosque", sendo muitos vestigios cristãos como sinos, altar e imagens, retiradas e substituidas por marcas islâmicas como o "Mirhab"..


Direcção de meca .. é por ali...
















Depois de uma sessão de cultura, veio o tempo livre para deambular pelas ruas de Istanbul.. há sempre qualquer coisa para fazer, nem que seja olhar para todas as coisas diferentes que rodeiam.. á parte de todo o comércio fascinante e perigoso, salões de chás apetitosos, montras de comidas estranhas fantásticas, com o respectivo turco sempre á porta a tentar seduzir nos para entrar.. acho que funciona um género de competição entre eles, no final do dia o vencedor paga a rodada .. apenas suposições mas que parece parece!! Á parte de tudo isso, ainda nos conseguimos perder nas ruas agitadas ao som das sonantes rezas...

E assim aqui ficam algumas fotografias das ruas de Istanbul...























Impossivel não passar pelo Grand Bazaar... apesar de para jovens estudantes ser mais para encher os olhos e não os bolsos.. é sempre divertido negociar com os turcos, nem que seja para tomar um chá e ter uma conversa engraçada.. Situação caricata que nos aconteceu. Estavamos em busca de "kits" decorativos para a nossa casa ainda um pouco vazia, entramos numa loja com aspecto de tecidos e coisas turcas giras.. mas quando lá chegamos era tudo tão maravilhosamente caro. Restou-nos ser simpáticas já que eles bem insistiram para nos sentarmos, o que soube muito bem depois de 2h a andar, e tomar um Çay, ora de maçã, ora de canela ora "não sei bem que sabor, mas turco".. falou-se de Portugal, Turquia, Alemanha, Chipre, negócios, antiguidades, mitos, curiosidades e claro que ainda se negociou 4 almofadas turcas artesanais por um preço irrisório, já que fomos muito simpáticas e enchemos a tarde rotineira do jovem Muhamed e seu irmão Ibrahim...
















Lukasz (amigo polaco) parece ter ficado impressionado com os nossos dotes negociadores, tipicos de um verdadeiro "tuga" que tenta sempre buscar a borla e o mais barato... Ele bem nos pode agradecer a óptima compra que lhe proporcionamos pela metade do preço inicial...

Já se fazia tarde e a jantarada turca esperava-nos num belo restarante de kebabs e iguarias exóticas. Depois de saciados, resta pousar as "tralhas" e Let's go party!!!


A festa começo logo no hostel, e segundo a tradição todos que se juntam ao grupo têm de fazer um "hight school shot".. Nada de especialmente turco, é apenas um brinde criativo com um nome engraçado que faz qualquer um viciar-se no grito de guerra "HIGHT SCHOOL SHOT"!!


O maior luxo de sempre, foi termos a camioneta com o nosso amigo motorista á porta do hostel para nos levar para a zona de diversão nocturna..



Pode parece o maior comudismo de sempre, mas acreditem que em cidades e especialmete zonas como "Taksim"...

Uma das zonas se não a zona mais movimentada e povoada de Istanbul (Aquela mencionada na primeira viageme agora finalmente fotografada). Á noite torna-se uma verdadeira loucura, de tal modo que um dos alemães perdeu-se no meio do caminho ficando á deriva 1h, e foi eleito herói por, sem telémovel, ter conseguido encontrar o destino e o grupo.. Portanto uma camioneta para nos levar e buscar no final de uma noite agitada foi um pormenor muito bem pensado pelos turcos organizadores...


Dia seguinte, inicio de dia calmo no terraço, a observar os rituais turcos de uma solarenta manhã de domingo..



















Segue-se mais uma visita a um conhecido marco histórico, Topkapi, um palácio de dimensões absurdas, vistas fantásticas, e com todas os luxos dignos da anti ga residência dos famosos Sultões do Império Otamano.. Como diz a história, que de mito não tem nada, os Sultões tinham direito a várias "esposas", ou "concubinas" tendo estas e todas as mulheres da vida do Sultão direito a uma secção ou departamento especial dentro do palácio.. o tão falado .. Harem.

Estas afortunadas senhoras eram escolhidas a dedo, e desde tenra idade eram seleccionadas e treinadas para serem as mulheres mais perfeitas, habilidosas, inteligentes e completas de modo a satisfazer o Sultão. Assim este tinha direito a um grande Harem, qualquer coisa como 40 mulheres dentre as quais escolheria as verdadeiras esposas, as "favoritas" que normalmente seriam não 1, não 2 mas 10!!

Uma curiosidade interessante.. e para onde vão todas estas senhoras depois de não seleccionadas ou se o Sultão simplesmente se fartasse delas (o que podia acontecer)? Nada mais fácil.. contruia-se um novo palácio para deportá-las e não serem mais um impecilho na vida do Sultão, simbolo de autoridade e poder entre os muçulmanos...


Lá pudemos ver e conhecer muitas outras curiosidades engraçadas dos tempos Otomanos, como a sala de circuncisação dos jovens muçulmanos, que de facto tem um ar sinistro e medonho, ou ficar a par de outros rituais como, as refeições, onde parece que havia um grande espirito de poupança uma vez que todos comiam do mesmo prato...


Depois de mais uma injecção cultural, nada melhor que relaxar ao pé do rio numa zona muito agradável.. Ortakoy.. variedade de especialidades culinárias turcas. Incrivel como eles criaram a própria fast food, o melhor exemplo é a "Kumpir".. realmente só vendo e experimentando.. trata-se de uma batata quente aberta ao meio onde é adicionada uma série de recheios e molhos possiveis , alguns bem interessantes como por exemplo molho de yogurte com menta.. Um último Çay ao som das rezas que marcam um final de tarde.. e a despedida é feita na parte asiática de Istanbul, depois da necessária travessia de barco pelo Bospherus, num bar de "nargilés"...

De volta a Ankara, todos cansados e com pena de acabar um fim de semana intenso e cheio de novidades..

4º Lição Candidato Erasmus: Aproveitar todos as viagens e grupos organizados pelos Erasmus ou outras organizações.. com a dimensão da Turquia realmente vale a pena ter alguém que mostre o caminho...