Hamam ou Banho Turco


Este é um blog sobre duas jovens portuguesas, acusadas de loucas, que partiram numa experiêcnia de Erasmus para a Turquia, mais precisamente Ankara! Dedicamo-lo... Aos que pretendem fazer o mesmo que nós, já que na nossa vez pouca informação encontrámos.. que seja uma ajuda!! Mas principalmente a todos os amigos curiosos.. para que nos possam acompanhar nesta saga de 5 meses algures entre a Europa e a Ásia..



As nossas primeiras visitas não tiveram muita sorte com o Clima, desta vez apresentava-se um Istanbul com chuva, frio e até uma epécie de granizo que quase pode ser chamado de neve. Os passeios foram mais dificeis e tinham de ser programados de acordo com o tempo, pois um passeio no Bósforo com um céu completamente enublado não tem metade da piada. As nossas visitas não deviam estar habituadas a estes tempos agrestes, e até constipações e esfriados deram as caras, mas com uma boa caga vitaminica rapidamente passaram. A Carminho e a sua postura defensiva a lutar contra as sofridas gotas cortantes de granizo que o digam...
Sim é preciso ter cuidado com as confianças, porque estes turcos, sempre tão amáveis e disponiveis, por vezes "esticam-se" um bocado, chegando-nos a prometer o céu e a Lua em troca não sei bem do quê... Portanto Simpatia mas com moderação subtil...
Para poderem realmente experienciar o que é a Turquia, as nossas visitas tinha de viver imprevistos tipicos desta civilização. Desta vez, não ficámos num Hostel, decidimos entrar no novo ano com alguma qualidade e acomodar-nos num Hotel, acessivel e com muito bom aspecto, bem no centro histórico da cidade. "Best Nobel Hotel" , Best não deve ser o nome mais apropriado, porque apesar do bom aspecto, confortáveis instalções e valente pequeno almoço, não se importava muito com os serviços básicos como Luz ou Água. Por mais de 2 vezes, as luzes faltavam repentinamente por 1h ou mais e a água acaba bem na hora apropriada do banho. Da primeira vez pensamos, ok acontece, da segunda decidimos sondar e questionar os recepcionistas. Eles não pareciam muito surpresos e disseram que era Normal. Eu pergunto-me, Normal num Hotel onde estamos a pagar um serviço completo de estadia. Eles com ar risonho e gozão respondem mais de uma vez, "é Normal é Normal, é um problema geral da rua" e simiticamente lá nos deram umas velinhas depois de muita insistência. Não sei porquê sentia-me sempre gozada, sempre que "refilava" ou reclamava como cliente que sou.. enfim Turquia ainda não deve saber que "O cliente tem sempre razão". O patrão lá parece que percebeu e a meio de mais uma manhã com água cortada, e por isso chegarmos no final da hora do pequeno almoço chateadas, revoltadas e esfomeadas, ele lá madou o "capanga" ao supermercado e tivemos um belo banquete só para nós...
Sorte ou coincidência, ficámos instaladas paredes meias com um belo Restaurante/Bar/como lhe queiram chamar Turco, que depois de todos os dias insistirem para que entrássemos lá cedemos e participámos numa engraçada e animada festa turca. Aqui percebi que algumas estrangeiras realmente perdem a cabeça com estes ares do Médio Oriente, o que os faz pensar que depois somos todas assim... "Soltas"...
(video uploading)
Nesta noite, conhecemos o primeiro português desde que chegámos á Turquia. O jovem "rasta" Alex do Algarve, que passava férias com os pais. A sorte dele foi encontrar-nos e ser convidado para á festa de Passagem de Ano que tinhamos programa com a comunidade Erasmus.
A passagem de ano foi assim passada numa Basilica antiga recuperada, uma festa organizada pela associação de Erasmus Nacional que juntou erasmus e amigos de toda a parte da Turquia, Istanbul, Ankara, Izmir e afins. A Basilica, não um monumento estrondoso com a maioria nesta cidade mas bem acolhedor, estava cheia e uma confusão de internacionalidade. Numa meio da multidão encontrámos mais portugueses das várias regiões do país, Coimbra, Aveiro, Porto e penso que de Lisboa também. Pelo que parece eu e a Mariana somos as únicas lusas em Ankara, mas em Istanbul são mais de 20...

(A tuga etá ali do lado direito com um circulo vermelho esbatido)
Desde logo, "Máriáná" era a estrangeira, a "portokis" amiga do Figo e prima do Cristiano Ronaldo, ao comando de um treinador que de inglês sabe pouco ou quase nada, o que torna as coisas um bocado dificeis. Eu própria fui a alguns treinos, sim há jogadoras baixas como eu, e vi como é dificil tentar perceber o que é suposto fazer quando todas desatam a correr e a emitir sons estranhos que mais parecem gritos de guerra árabe. Bom, mas temos sempre a Seçil, o Burak ou outras turcas amorosas que nos acham um piadão e esforçam-se por traduzir o que está a acontecer quando nos veêm realmente perdidas. Nos balneários o mote é sempre ensinarem-nos algumas palavras turcas, e normalmente chega sempre a altura que desatam a rir, penso que é altura que nos fazem de papagaios para ouvir "palavrões" turcos com um sotaque estranho e divertido.
Bem, depois de tanta insistência por parte da Rita e não só, resolvi escrever. Não sei bem do que é que vou falar. O que me vier à cabeça, espero que chegue...

Esfomeadas depois de algumas horas á deriva, em busca do centro da cidade, que parecia inexistente, uma vez que existem vários centros e ninguém nos conseguia indicar o caminho que procuravamos, que na verdade acho que nem nós sabiamos muito bem... PIDE! A especialidade da zona é pide, uma espécie de pizza, que na verdade não tem nada a ver, tendo em conta os perigosos picantes sempre presentes... e eu que os odiava...
É incrivel como tudo é simples e sem preocupações para este povo... chegadas á pequena taberna turca, deliciámo-nos com uma humilde esplanada ao sol improvisada a meio da estrada de uma estreitissima rua. Depois de instaladas e já debruçadas nas entradas e petiscos sempre oferecidos nestes sitios.. BUM! Camioneta a querer passar, bem no meio da nossa refeição, ok nada de dramas deve ser excepção para qualquer entrega.. levanta cadeira, afasta mesa, camioneta passa, turco insiste que "problem yok"(não há problema), ok continuamos na nossa humilde esplanada.. 5min depois.. mais uma camioneta.. turcos insiste "oh problem yok yok".. ah concerteza não há problema rigorosamente nenhum termos que interromper a refeição, mover toda a mobilia e acessorios, para deixar passar as camionetas que deicidem atravessar a estrada que lhes é de direito.. enfim pequeno pormenor que nos pôs a rir a tarde toda, repetir vezes sem conta "problem yok yok" e concerteza mudar para a parte interior da taberna, charmosa na mesma com os seus tipicos tapetes pendurados na parede.
Ainda meio perdidas nesta cidade religiosa, lá encontrámos um posto turistico meio abandonado, mas com um simpático jovem que arranhava o inglês e nos ofereceu uma serie de mapas, informações, cds de musica de meditação e uma bela noticia. Aos sábados, tem lugar um dos eventos mais importantes na cidade, um espectáculo religioso os "Sufis", juntam-se por volta de 2000 pessoas num pavilhão para assistir o ritual de meditção e oração/evocação de Allah... para nós que não percebemos ou não sentimos, não tem grande interesse, pois é monótono e sem grande variação artistica... Percebi que os movimentos giratórios continuos, durante aproximadamente 1h, são possiveis através de um estado de meditação e concentração transcendente, talvez por isso esta prática seja tão apreciada entre os crentes...

Durante o dia ainda visitamos a parte mais rural de Konya. O objectivo era visitar uma igreja antiga, algo raro neste mundo islâmico, então apanhámos um autocarro que nos levou á parte desértica e mais pobre de Konya.. lá eramos nós a atracção.. as pessoas principalmente as crianças olhavam para nós como se fossemos "aliens", queriam falar com nosco, seguir-nos, tocar-nos... em menos de 30min de autocarro encontrávamo-nos numa realidade completamente diferente ...
Antes da partida, importante visitar uma das maiores atracções da cidade, Green Mausoleum of Mevlana Celaleddin, anexado a uma famosa mesquita, encontram-se famosos manuscritos, pertences e história do famoso Mevlana, importante filósofo e professor que influenciou a palavra do Islão.
No mesmo dia, apanhámos o último autocarro para Ankara, e lá chegámos de madrugada.
Pensei em descrever aqui no mesmo artigo todas as outras viagens que já fizemos, como Cappadocia e a "road trip" pelo Mar Negro ou Black Sea Region, mas como sempre alongo-me nas descrições, e por aqui já se faz tarde, portanto fica para o próximo episódio, e claro, deixo uma curiosidade no ar pelo o que ai ainda vem...
Sim o senhor de branco também faz parte, e não se trata de um professor, mas sim de um castiço Iraniano que aos 40's também decidu fazer Erasmus, e porque não?! Por aqui.. turcos, turcas, polacos/as, alemães,Iranianos, holandesas, canadianas, suecas, Portuguesas (Claro!), Russas, Ucranianas, um Americano... O que deu misturas engraçadas como ...


Mais uma viajem de camioneta hilariante, que demorou o dobro do tempo porque o motorista desviou a rota por 2h em busca da gasolina e refeição mais barata em plena madrugada, primeiras impressoões, primeiros cumprimentos.. "Hi, Where are you from?!" é a pergunta mais frequente.. depois de apresentações e conversas curiosas sobre cada pais.. uns dormem, outros leêm, outros fofocam em dialetos estranhos,outros tentam a todo o custo manter a energia e continuar a Camioneta Party mas sem grande sucesso, e outras ou outra, a frenética Ucraniana, quase é expulsa do autocarro por insistir em fumar lá dentro contra a vontade de toda a população...
Chegados ao destino.. check in num hostel pitoresco bem no centro histórico de Istanbul (Sultanahmet), e pequeno almoço num dos milhares de terraços que tanto já falei...
Um misto de..